POESIA E ARTE – STÉPHANE MALLARMÉ

 

STÉPHANE MALLARMÉ

STÉPHANE MALLARMÉ

 

BRISA MARINHA

 

 A CARNE É TRISTE, SIM, E EU LI TODOS OS LIVROS.

FUGIR! FUGIR! SINTO QUE OS PÁSSAROS SÃO LIVRES,

ÉBRIOS DE SE ENTREGAR A ESPUMA E AOS CÉUS IMENSOS.

NADA, NEM OS JARDINS DENTRO DO OLHAR SUSPENSOS,

IMPEDE O CORAÇÃO DE SUBMERGIR NO MAR

Ó NOITES! NEM A LUZ DESERTA A ILUMINAR

ESTE PAPEL VAZIO COM SEU BRANCO ANSEIO,

NEM A JOVEM MULHER QUE PREME O FILHO AO SEIO.

EU PARTIREI! VAPOR A BALOUÇAR NAS VAGAS.

ERGUE A ÂNCORA EM PROL DAS MAIS ESTRANHAS PLAGAS!

 

UM TÉDIO, DESOLADO POR CRUÉIS SILÊNCIOS.

AINDA CRÊ NO DERRADEIRO ADEUS DOS LENÇOS!

E É POSSÍVEL QUE OS MASTROS, ENTRE AS ONDAS MÁS,

ROMPAM-SE AO VENTO SOBRE OS NÁUFRAGOS, SEM MAS-

TROS, SEM MASTROS, NEM ILHAS FÉRTEIS, A VOGAR…

MAS, Ó MEU PEITO, OUVE A CANÇÃO QUE VEM DO MAR!

Poema de Stéphane Mallarmé - 1865.

 


This entry was posted on quarta-feira, dezembro 16th, 2009 at 3:01 and is filed under Arte Moderna. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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